Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

O Poço e o Pêndulo, um conto por Edgar Allan Poe

Resolvi apresentar este conto, por dois factores que considero essenciais:
- Primeiro, pela grande admiração que e gosto que tenho pelo autor;
- Segundo, porque este (o autor), em toda a sua obra, apresenta uma dualidade profunda com Fernando Pessoa, evidencia clara em o “Poço e o Pêndulo” e em poemas como é o caso de “Um sonho num Sonho”.

Como foi estudado, Pessoa apresenta-se, enquanto ortonimo, como um homem perturbado, desiludido com a vida, por considerá-la efémera, pois não há tempo para viver. Sofre da alucinante doença que é a dor de pensar; e de faze-lo constantemente. Pensa; confronta a realidade; e sofre. Refugia-se na indistinta sensação do sonho, e lá ambiciona ser algo mais. Enquanto sonha, vislumbra a felicidade, vislumbra um destino que não é seu, e, quando volta ao real; quando volta ao terreno, sente-se esmagado por ele e sufoca.

Pessoa foi, em toda a sua vida, um louco condenado à lucidez.

No conto “O Poço e o Pêndulo”, vemo-nos dentro da mente de um homem, sem nome e identidade, o qual nada se sabe sobre a sua vida, passado, e possível futuro. O seu presente, porém, é nos claro: será condenado pela inquisição por alegados actos de bruxaria. Este é o único momento em que nos é explicitado o espaço temporal da obra. O seu desenvolver, devido a profunda irrealidade a qual nos deparamos, encaixar-se-ia, provavelmente, em qualquer época.
Como reflexo da mentalidade de Poe, esta personagem denota uma profunda necessidade de fugir a realidade. Perdida em devaneios diversos, procura, através da ilusão, atenuar o seu terror pela morte. O seu julgamento, parecera-lhe uma ilusão indistinta, e indistintas são as pessoas que o julgam. “O som das vozes dos inquisidores era como um sussurro indefinido de um sonho”, e todo o processo do julgamento, “apenas silencio, imobilidade, e trevas”.
Permito-me portanto divagar sobre Pessoa e a sua evidente excentricidade. Não seria ele também condenado pela inquisição devida a grandeza monumental do seu imaginário? Não passaria ele por louco, se louco não era deveras, caso, num impulso pouco característico, expusesse ao mundo a sua lógica imaterial sobre o sentido da vida (ou talvez a ausência de um sentido)? Penso que sim. E se, naquela época, Pessoa estaria condenado, Poe estaria provavelmente morto.

A lógica é simples: os génios morrem cedo.

(a desenvolver)

1 comentários:

Petit Loke disse...

Este só leio depois da apresentação, senão estraga tudo!